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Utilizando a sala de aula invertida, rendimento dos alunos cresce 5%

Popularizada pelo professor-celebridade Salman Khan, o flipped classroom, ou a sala de aula invertida –  conceito desenvolvido há alguns anos nos EUA mais ainda pouco difundido entre educadores brasileiros – , vem mostrando os seu primeiros resultados. Um estudo desenvolvido numa instituição americana demonstra que o método que propõe aos alunos que aprendam o conteúdo em suas próprias casas –  por meio de videoaulas ou outros recursos interativos digitais – e utilizem o espaço da sala de aula para tirar dúvidas com os professores, tem impactos positivos na aprendizagem. E ele já é mensurável. Na pesquisa, foi constatado que o rendimento dos alunos que usam a lógica do flipped aumenta em 5,1%.
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores monitoraram estudantes universitários do curso de farmácia. Durante a pesquisa, eles observaram que, enquanto os alunos se preparavam previamente para as aulas, era possível economizar tempo para um maior diálogo e desenvolvimento de projetos interativos com o professor em sala de aula. E esse “tempo extra” refletiu diretamente na aprendizagem. O estudo foi publicado em dois importantes periódicos: o  Academic Medicine Journal e o The American Journal of Pharmaceutical Education.

Invertendo a sala de aula invertida

Desde que Salman Khan colocou suas videoaulas pelo YouTube e se tornou um professor assistido mais de 280 milhões de vezes, a metodologia da sala de aula invertidaGlossário compartilhado de termos de inovação em educação tem se tornado cada vez mais popular. Afinal, podia ser uma boa ideia oferecer aos alunos recursos para que tivessem contato com a teoria primeiro, de casa, e deixar para a escola os momentos de discussão e de aprendizado mais profundo. Uma pesquisa realizada na Faculdade de Educação de Stanford, no entanto, mostra que a experiência educativa pode ser muito mais efetiva se, em vez de aprender de casa, o primeiro contato com determinada disciplina pode ocorrer a partir de atividades práticas, com experiência e investigação. É a reinversão da sala de aula invertida – ou, em inglês, “flip the flipped classroom”.
“Quando se tem uma intuição na educação, é preciso fazer uma pesquisa antes de defendê-la. Foi isso que fizemos com a sala de aula invertida. Ela é uma boa ideia, mas com mais uma inversão no início do processo, ela pode ficar melhor”, disse hoje o brasileiro Paulo Blikstein, professor assistente de Stanford, durante o seminário Estratégias para superar as desigualdades educacionais brasileiras, promovido pela Fundação Lemann. Blikstein é um dos responsáveis pela pesquisa, junto de seu aluno de doutorado Bertrand Schneider.
O recém-lançado estudo Preparing for Future Learning with a Tangible User Interface: The Case of Neuroscience (Preparando-se para a aprendizagem futura com uma interface tangível para o usuário: O caso da neurociência, em livre tradução) mostra que o aprendizado iniciado com a prática pode ser 25% maior do aquele que começa com conceitos abstratos.
créditos divulgação
Participaram do estudo 28 alunos de graduação, nenhum dos quais tinha tido aula de neurociência anteriormente. Eles foram divididos em dois grupos: metade foi submetido à metodologia da sala de aula invertida e metade ao método que reinverte a sala de aula. No início, todos fizeram um teste sobre conhecimentos de neurociência. Na sequência, o primeiro grupo leu sobre o assunto, enquanto o segundo teve contato com uma ferramenta digital interativa chamada Brain Explorer, que mostra como o cérebro humano processa imagens. No fim dessa etapa, os alunos fizeram uma prova e os que tiveram acesso à atividade exploratória obtiveram nota 30% superior à dos colegas que leram sobre o assunto.
Os grupos, então, trocaram de atividade. Os que tinham lido puderam manipular o Brain Explorer e os que haviam trabalhado com a ferramenta foram ler sobre o assunto. Quando um novo teste foi aplicado, o grupo que tinha sido introduzido ao assunto com uma proposta “mão na massa” voltou a ter nota maior, dessa vez 25% superior do que os outros colegas. Para tirar a prova dos nove, os pesquisadores fizeram todo o experimento novamente usando videoaulas em vez de textos e o resultado foi similar.
De acordo com Blikstein, o estudo não testou grupos de idades diferentes e em assuntos variados. No entanto, ao considerar experimentações semelhantes que chegaram à conclusão parecida, a pesquisa mostra um “forte indício” de que a prática antes da teoria tem um efeito melhor no aprendizado. “O que defendemos é a difusão do aprendizado por projeto, a oportunidade de aprender com mão na massa, de explorar um problema”, afirma o brasileiro, que comanda os FabLabs, um programa que leva laboratórios de ciência de ponta a escolas e permite que os alunos aprendam fazendo as mais diferentes disciplinas – o chamado aprendizado baseado em projeto. “Nós estamos mostrando que experiência, investigação e resolução de problemas não são apenas ‘coisas legais’ de se ter em sala de aula. São mecanismos de aprendizado poderosos que melhoram a performance dos alunos todas as vezes que medimos”, afirmou ele.
Em um editorial assinado no The Stanford Daily, Blikstein e outros dois colegas de pesquisa, Bertrand Schneider e Roy Pea, defendem que o uso de tecnologias educacionais ajuda a oferecer melhores oportunidades de aprendizado aos alunos. “Esses resultados invertem o modelo de sala de aula invertida. Eles sugerem que os estudantes estão mais bem preparados para entender e apreciar a elegância de uma teoria ou de um princípio quando exploram inicialmente a questão por eles mesmos. Novas tecnologias, particularmente ferramentas e interfaces tangíveis, servem bem a esse propósito”, disseram.
No texto, o trio defende a sala de aula invertida, mas faz um alerta: é preciso atentar para a forma como ela é usada. “Com esse estudo, estamos mostrando que a pesquisa em educação é importante porque, às vezes, nossas intuições sobre ‘o que funciona’ estão erradas. A sala de aula invertida vai na direção certa: precisamos de menos aulas expositivas e mais experiências práticas. No entanto, ao não prestar atenção a pesquisas, estamos usando o que é uma boa ideia de um jeito errado.” E concluem com uma alfinetada: “pesquisa em educação é vital para melhorar nossas escolas. Intuição é bom, mas ciência é melhor”.

Mooc à brasileira: um jeito rentável de dar videoaula

The New York Times decretou: 2012 foi o ano dos Moocs. Mas, apesar das centenas de milhares de alunos registrados em plataformas como Coursera, edX e Udacity, especialistas ainda alertam sobre a sustentabilidade de projetos que se baseiam no ensino on-line gratuito para grandes massas. Um grupo de pernambucanos, porém, está disposto a provar que é possível ter um modelo de Mooc rentável e acaba de lançar o PingMind, uma plataforma para oferta de cursos on-line que comporta tanto aulas gratuitas quanto pagas, a depender de quem propõe a aula.
O site, desenvolvido por Marcel Caraciolo, 28, e uma equipe mais quatro jovens profissionais, provê a infraestrutura necessária para professores e instituições oferecerem cursos. “Nossa missão é dar a ferramentas para ensino on-line para qualquer um que queira aprender ou ensinar”, diz o empreendedor. A ideia surgiu no ano passado, depois de os próprios criadores terem experimentado alguns dos Moocs mais famosos e percebido que era possível fazer uma versão brasileira rentável dessas plataformas. Lançaram então o PyCursos, site especializado em aulas da linguagem Python de programação. Deu tão certo que a equipe lançou o PingMind, já incluindo nessa nova iniciativa os cursos que haviam criado e abrindo espaço para aulas de outras áreas do conhecimento. “Percebemos que havia ali uma demanda”, diz Caraciolo.

No ambiente virtual do PingMind, é possível postar textos, fotos, áudios, vídeos e slides, criar fóruns, propor exercícios e acompanhar o desempenho dos alunos. Os proponentes podem ser dos mais diferentes perfis, desde instituições que queiram fazer a capacitação dos seus profissionais; organizações, escolas ou universidades interessadas em um modelo de EAD ou híbrido de aprendizagem e até mesmo professores independentes. Cada um será um modelo de negócio distinto. Veja vídeo de apresentação da plataforma.

No caso de instituições filantrópicas, institutos, organizações sem fins lucrativos ou universidades públicas que queiram oferecer cursos gratuitamente, o PingMind dá acesso ao ambiente virtual e às suas funcionalidades sem cobrar nada por isso. Um primeiro curso nesse formato, o Projetão, já está cadastrado na plataforma e será a complementação da disciplina de projeto de desenvolvimento dada para o 5o período de ciência da computação e para o 8o de engenharia da computação da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Embora gratuito, apenas estudantes matriculados nessas disciplinas poderão cursar o Projetão. A perspectiva é que, dando certo o piloto, ele seja aberto a qualquer interessado.
“É uma honra trazer a Udacity para o Brasil”
Totalmente gratuito e aberto a qualquer pessoa, no entanto, estarão os cursos da Udacity, uma das iniciativas pioneiras na oferta de Moocs nos EUA. O primeiro curso, sobre como abrir uma startup, do prestigiado professor Steve Blank, já está disponível. Nas próximas semanas, outros serão adicionados à plataforma e, no segundo semestre, a previsão é que eles sejam legendados para o português, facilitando o acesso dos alunos brasileiros. “É uma honra trazer a Udacity para o Brasil”, diz Caraciolo.
O segundo modelo de negócio possível na PingMind é o voltado para professores independentes e pequenas empresas que queiram cobrar pelos cursos ofertados. Nesse caso, o site recebe uma comissão por cada aluno matriculado. Alguns cursos, todos na área de tecnologia e programação, já estão disponíveis. Já a terceira possibilidade é destinada a empresas maiores, que poderão customizar a plataforma com sua identidade visual e oferecer aulas para capacitação profissional. Como terão mais alunos matriculados e a cobrança por comissão não seria interessante, esses clientes pagam mensalidade. Já há cerca de 20 empresas cadastradas, que estão em processo de elaboração dos cursos ou com as aulas já em andamento.
Como o PingMind entrou no ar em dezembro, explica Caraciolo, ele ainda está sendo aprimorado e um de seus planos para um futuro próximo é oferecer também aulas ao vivo sobre os mais variados conteúdos, sempre com a ideia de facilitar o acesso à educação.

Udacity testa sala de aula invertida em universidade

San Jose State University, na Califórnia, e a Udacity, primeira plataforma a oferecer cursos gratuitos de universidades renomadas, chegaram a um acordo para desenvolver um programa-piloto de sala de aula invertida. Chamado de San Jose State University Plus, o programa terá professores da instituição lecionando três disciplinas – duas de matemática e uma de estatística – pela plataforma para seus alunos e os de universidades do entorno. Mais conhecimento? Não só isso. Além de fornecer um certificado de conclusão, as disciplinas, que vão custar US$ 150 cada, servirão como créditos na universidade.
As videoaulas, intercaladas com questionários e outros elementos interativos já estão sendo desenvolvidas para o curso. Diferentemente de outros cursos da Udacity, neste caso haverá um limite de inscritos: das 300 vagas, metade será da própria universidade e as demais para alunos de faculdades comunitárias e de escolas próximas. “Como uma universidade pública, que envia, por ano, 8.000 graduados ao mercado de trabalho no Vale do Silício, a San Jose State University deve assumir um papel de liderança em alavancar a tecnologia para transformar a educação superior, com o objetivo de fazer um curso barato e acessível a todos”, disse Mohammad Qayoumi, presidente da instituição, em entrevista ao Business Wire.

O programa vai oferecer uma gama de serviços de apoio ao estudante, como mentores on-line e e-mails para auxiliar quem se perder durante um exercício. Esse tipo de serviço é uma tentativa de superar uma das crises dos Moocs: sua taxa de abandono de 90%. Apesar do alto número de matrículas, cerca de metade dos alunos que se inscrevem para tais cursos, seja na Udacity ou outras plataformas, não terminam nem sequer o primeiro trabalho. “Muitos deles são navegadores sem compromisso real com as aulas, mas outros só precisam de mais apoio”, disse Sebastian Thrun, cofundador da Udacity.
O público alvo inclui grupos de baixa renda, alunos que estão em lista de espera das universidades comunitárias, membros das forças armadas e veteranos de guerra. ”Ao oferecer aulas atraentes e baratas, estamos analisando se esse piloto pode oferecer um novo caminho ao crédito para estudantes atualmente excluídos do sistema de ensino superior”, disse Thrun. “Nós sempre nos motivamos para melhorar a tecnologia de aprendizagem on-line, para fornecer a melhor educação superior aos estudantes de todos os lugares, incluindo estudantes aqui na Califórnia. Temos muito a aprender, mas estamos animados com o potencial da parceria”.
Com informações do Business Wire e The New York Times

Khan, o homem que inverteu a sala de aula

Está chegando para sua primeira visita ao Brasil –com direito a conversa com a presidenta Dilma Rousseff, com o ministro da Educação e palestra promovida pela Fundação Lemann– um professor que virou celebridade, teve suas aulas assistidas quase 230 milhões de vezes nos últimos sete anos e, no ano passado, foi considerado pela Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Ele é Salman Khan, um ex-aluno do MIT e Harvard que, despretenciosamente, gravou vídeos curtos, bem diretos ao ponto, com a explicação narrada ao fundo e números aparecendo em uma lousa para ajudar uma prima com dificuldades em matemática. Sem saber, suas aulas não estavam mais ajudando apenas Nadia, mas parentes, amigos e até os filhos do Bill Gates.
Quando chegaram ao YouTube, os vídeos se tornaram tão populares que o educador largou o mercado financeiro para se dedicar à Khan Academy, que hoje usa o mesmo formato para dar aulas de matemática, ciências, programação e humanidades – em tempos de Oscar e Globo de Ouro, o professor até se arrisca a ensinar, seguindo a fórmula que deu certo,história francesa e o contexto em que o livro Les Miserables foi escrito. Com sua própria academia, Khan começava a liderar um movimento de reformulação de salas de aula em todo mundo. Reformular talvez nem seja a melhor palavra para o que ele vem fazendo. O que ele tem feito mesmo é inverter a sala de aula, ou o que em inglês é chamado de flip the classroom. Isso mesmo: ele tem colocado a classe de cabeça para baixo. “Enquanto o mundo requer gente criativa e com alta capacidade inovadora, o modelo vigente reforça a passividade”, criticou o atual modelo ele à Veja.
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O conceito de sala de aula invertida tem encontrado adeptos não apenas na educação básica, mas também na educação superior, como o Porvir já mostrou. A ideia é usar os recursos educacionais recentemente popularizados pela tecnologia, como as videoaulas ou ambientes virtuais de determinados cursos, para que o aluno tenha contato com o conteúdo em casa. Assim, o tempo da sala de aula fica liberado para que professores e alunos avancem no aprendizado, seja fazendo exercícios, tirando dúvidas, promovendo debates. “Quando fiz as videoaulas não sabia como isso teria uma penetração na escola. Então comecei a receber cartas de professores que diziam estar invertendo a lógica da sala de aula: os vídeos estavam virando lições de casa e na escola o que antes era dever de casa agora estava virando aula”, disse o educador em sua TED Talk de 2011.
Um infográfico, em inglês, feito pela Knewton mostra como a nova lógica altera as formas de interação em sala de aula. Os momentos de exposição, em que os alunos estão de frente para o quadro, acontecem com menos frequência e os alunos precisam se rearranjar mais constantemente em grupos. “Quando nos livramos da noção de uma pessoa entregando a informação diante de uma sala de aula em um ritmo definido, isso nos permite repensar completamente nossos pressupostos sobre como uma sala de aula ou uma escola pode ser. Nós podemos então considerar a possibilidade de ter professores na mesma sala de aula trabalhando com alunos que têm diferentes idades e graus de habilidade”, disse Khan em um artigo escrito em outubro passado na Times.
Assista a TED Talk de 2011:

É exatamente por isso, defende Khan, que, ao contrário do que muitos temem, as videoaulas em casa não diminuem nem a necessidade de um bom professor nem a importância dos momentos presenciais de interação. O que ocorre, aliás, é uma valorização de ambos. “Os professores estão usando tecnologia para humanizar a sala de aula. Eles pegam uma situação fundamentalmente desumanizada e sem interação e a transformam num espaço de troca”, afirmou.
Ao longo da semana, o Porvir vai trazer matérias relacionadas à visita do Khan e ao impacto de suas videoaulas na educação mundial. Também tuitaremos suas melhores frases durante a palestra que dará em São Paulo, nesta quinta-feira, que será transmitida via hangout pela Fundação Lemann.

Khan Academy inspira jovem a ajudar pessoas

Oi, pessoal tudo bem. Como vocês estão?”. É assim, sempre do modo mais descontraído possível, quase como bate-papos, que as aulas criadas pelo estudante de engenharia e matemática, Vandeir Vioti, 21, se iniciam. O jovem está seguindo um sonho: ensinar matemática a pessoas com pouca condição financeira. Ideia antiga que só tomou corpo depois que ele descobriu um dos mais conhecidos professores virtuais do mundo Salman Khan, indiano criador da Khan Academy. Hoje é Vioti quem fala a mais de 4mil alunos por dia, através de suas 600 videoaulas disponíveis gratuitamente na CalculeMais. Seu site inclusive passou integrar recentemente o Portal do Professor e o BIOE (Banco Internacional de Objetos Educacionais), criados pelo MEC.
“Eu estava procurando por um curso de licenciatura quando me deparei com uma revista falando sobre cursos de educação à distância. Abri e procurei por matemática. Dei de cara a Khan e anotei o site”, diz. “Quando cheguei em casa, acessei a plataforma e achei a ideia incrível. A maneira de dar aulas usando uma caneta escrevendo”, completa.

Assim, em 2011, ele criou a primeira versão do site, ainda simples, que levava seu próprio nome. As primeiras aulas às vésperas do Natal, como afirma, eram ainda gravadas precariamente. “Eu usava o mouse para escrever na tela. O que era muito complicado. Minha mãe conseguiu juntar uma grana e comprou para mim uma mesa digitalizadora e, como na Khan, passei a usar a canetinha virtual”, conta. Com o presente, Vioti aumentou o número de vídeos, que produzia durante às madrugadas, único tempo em que tinha para se dedicar à plataforma.
A irreverência das videoaulas é uma característica justificada, visando diminuir o temor que grande parte das pessoas tem quando o assunto é matemática. “Em geral, muita gente ainda tem medo, talvez porque não tiveram um bom professor ou porque ainda se autobloqueiam para estudar. A  ideia é realmente fazê-los gostarem, se divertirem e até relaxarem com as aulas”, afirma. Apaixonado por números desde criança, Vioti cursa o último ano de engenharia elétrica na Unicid (Universidade da Cidade de São Paulo) e o penúltimo ano em licenciatura em matemática na UNIP (Universidade Paulista), ambos como bolsista parcial. Embora estude em duas faculdades simultaneamente, o jovem conseguiu conciliar tempo dar aulas presenciais em uma escola de reforço de matemática e buscar apoio de uma empresa, que o ajudou a “dar uma cara mais profissional ao site”.  
Com o projeto Vioti ficou entre os 50 colocados do Prêmio Jovens Inspiradores em 2011. Não foi premiado, mas o que poderia fazê-lo desistir, foi, na verdade, mais um impulso para que o jovem seguisse adiante. “Eram mais de 8.000 inscritos, e eu estava entre os 50 melhores projetos que podiam transformar o Brasil. Ao invés de ficar triste, pelo contrário, gravei ainda mais aulas”, diz com orgulho.
Segundo Vioti, o objetivo é se dedicar integralmente ao projeto, a partir do ano que vem. Para isso, ele pretende receber algum tipo de patrocínio para ampliar a plataforma que sonha um dia se tornar “a maior plataforma de videoaulas do Brasil, desde o ensino fundamental ate o ensino superior”. “As aulas começaram como hobby e o máximo que eu fazia era para ajudar pessoas, mas não imaginei que fosse criar tamanha proporção”, afirma.
Enquanto isso, ele vai nutrindo e se orgulhando do que já tem feito com a plataforma. “Gente de todo o Brasil tem me contatado para agradecer. Ontem mesmo um aluno com deficiência me mandou um e-mail, me agradecendo porque ele tinha conseguido passar em um concurso depois de assistir as videoaulas”, conta orgulhoso.

Sala de aula invertida chega a médicos de Stanford

Charles Prober, diretor da Escola de Medicina de Stanford, está convicto: “Está na hora de mudarmos a forma como educamos nossos médicos”. Por isso, a instituição está incentivando seus professores, alguns dos mais renomados do mundo em determinadas especialidades médicas, a aposentarem a boa e velha aula expositiva teórica e passarem a adotar a chamada flipped classsroom ou sala de aula invertida. O método, que tem se tornado comum na educação básica, defende que os alunos se dediquem aos conteúdos mais densos em casa – por meio de leituras tradicionais, videoaulas on-line ou outros materiais interativos – para que o momento de sala de aula fique liberado para discussões mais aprofundadas, trabalhos em grupo ou em campo.
A iniciativa de Stanford, chamada de Smili (Stanford Medicine Interactive Learning Iniciatives), reúne em um site informações sobre como a geração Y aprende e que recursos os professores têm à disposição para produzir material interativo e videoaulas. A universidade diz que a última grande revolução na formação dos futuros médicos aconteceu em 1910 e, de lá para cá, muito pouco avançou. Em contrapartida, dizem eles, os cuidados com a saúde passaram a demandar um trabalho muito próximo com profissionais de diferentes áreas para resolver os problemas dos pacientes, que têm se mostrado muito complexos para serem solucionados por apenas uma disciplina.

“A tentativa de tornar o ensino da medicina mais interativo faz parte de um esforço maior para alinhar o currículo a um ambiente de assistência médica e às novas formas pelas quais os estudantes aprendem”, afirma a instituição pelo site da iniciativa. E sobre os novos recursos disponíveis, as videoaulas estão entre os mais estimulados. “As novas tecnologias de dentro e de fora da sala de aula abriram novas oportunidades para o ensino. A tecnologia de vídeo, por exemplo, se tornou muito fácil de ser usada, e agora permite que professores criem vídeos com quizzes e outras atividades interativas inseridas neles”.
Alguns vídeos serão feitos com a assistência da Khan Academy, que já está envolvida com outros projetos de Stanford, como a Class2Go. “A missão da Khan Academy realmente tem ressonância: educar qualquer um, em qualquer lugar e de graça. Eu quero compartilhar o que fizermos com o maior número possível de pessoas, sem fins lucrativos. Se isso ajudar a elevar o nível da educação, vai ser ótimo. Essa é a nossa missão”, disse Prober ao Stanford News. Ele espera que, no futuro, as aulas produzidas pela Escola de Medicina de Stanford possam ser compartilhadas com outras instituições.
Com os vídeos, a universidade espera conseguir um maior engajamento dos alunos, que podem acessar o material conforme seu ritmo de estudo. Isso permite que estudantes com dificuldades possam retomar pontos de interesse ou até mesmo revisar assuntos básicos quando já estiverem em anos mais avançados. Para o professor, em vez de fazê-los repetir, ano a ano, as mesmas explicações, ele pode selecionar uma série de vídeos com suas melhores apresentações e torná-las disponíveis para todos os seus alunos.
Os professores interessados em começar a experimentar o novo modelo podem, pelo site, receber algumas dicas. Nas orientações gerais, Stanford sugere que os vídeos sejam objetivos, tenham entre 8 e 15 minutos e sempre indiquem material complementar para quem quiser se aprofundar em algum ponto específico. O que será mostrado na tela varia conforme a preferência do professor – pode ser do próprio professor explicando o tópico, a captura de imagens de tablets ou os dois. O site já conta com alguns exemplos de cursos montados a partir dessa abordagem mais interativa.
Apesar de incentivar as videoaulas, o diretor Prober diz que eles são apenas o primeiro passo nesse novo aprendizado e ressalta a importância dos momentos de interação em sala de aula: “Os vídeos não são o fim da linha. Eles são uma forma de criar um produto útil para os estudantes”, disse ele. “Nós estamos empacotando conhecimento, mas o vídeo não é o conhecimento de verdade. Empurrar fatos para as pessoas não é ensinar. O aprendizado é entender esses fatos em sessões interativas e ricas de aprendizagem.”