Mal sabia Salman Khan, um físico formado pelo MIT, que as aulas despretensiosas de matemática que ele postava no YouTube para ajudar seus primos chegariam tão longe. Com vídeos curtos e simples, suas explicações ficaram tão populares na internet que ganharam o mundo. Agora, vídeos da Khan Academy traduzidos para o português estão chegando a mais de 1.200 alunos de escolas municipais de São Paulo e Santo André.
A iniciativa, parceria da Fundação Lemann com a Khan Academy, reuniu os vídeos traduzidos e contextualizados para a realidade brasileira em uma ferramenta on-line. Desde o início do ano, o projeto vinha sendo testado em seis turmas de três escolas. A partir das próximas semanas, no entanto, ele será levado a mais sete instituições, num total de 45 turmas majoritariamente de 4o e 5o anos nas aulas de matemática. “A intenção é que, no futuro, isso possa se tornar uma política pública”, diz Daniela Caldeirinha, coordenadora de projetos da fundação, ao apresentar o Khan Academy na Sala de Aula para os professores que participarão do projeto durante capacitação ocorrida hoje.
O primeiro passo em sala de aula, explica Daniela, é a criação de login e senha para que as crianças tenham acesso ao ambiente on-line, onde estão os vídeos e os exercícios. Enquanto os alunos exploram a ferramenta, o professor consegue acompanhar, em tempo real, o percentual de acertos dos estudantes, o número de vezes que eles tentaram um exercício até conseguir chegar ao resultado correto e aos vídeos que eles assistiram.
“O desempenho deles melhora muito e o raciocínio lógico também”, diz Angela Maria dos Santos, que dá aula na Emef Educandário Bom Duarte. A turma da professora estava entre as que receberam o projeto no início do ano e é composta por alunos vindos de famílias de baixa renda ou que moram na própria instituição. “Eles tinham muita dificuldade nas operações mais simples, como adição e subtração, e a ferramenta ajudou muito”, afirma.
“Não existe um único jeito de trabalhar com a ferramenta.” Em alguns momentos, metade da turma vai estar on-line, enquanto a outra metade está desenvolvendo outra atividade. Às vezes, toda a turma estará junta assistindo aos vídeos.
Cada aluno da turma de Angela Maria que participa do projeto recebeu um laptop. “No dia que fomos entregar o computador, a Angela começou a chamar os alunos por ordem alfabética para receber o computador. O primeiro aluno a receber, o Alex, foi aplaudido de pé pelos colegas”, conta Daniela, que estava na escola neste dia. A Fundação Lemann doa kits com cerca de 30 laptops – o número varia conforme a escola, mas é calculado para que cada aluno trabalhe com seu computador – às escolas participantes. Para facilitar o trabalho, a organização oferece também suporte técnico para tirar dúvidas ou dar assistência remota aos professores.
Além do apoio técnico e dos equipamentos, a fundação dá apoio pedagógico aos professores em reuniões semanais. Nesses encontros, são discutidas as estratégias a serem empregadas em sala de aula e discutidos os resultados. “Não existe um único jeito de trabalhar com a ferramenta”, frisa Daniela. Em alguns momentos, metade da turma vai estar no ambiente on-line, enquanto a outra metade está desenvolvendo outra atividade. Às vezes, toda a turma estará junta assistindo aos vídeos. Para fins de avaliação do projeto, a fundação sugere que metade das aulas de matemática contem com a ferramenta.
Ao fim de todas as aulas, a fundação pede que os professores entreguem um formulário de autoavaliação aos alunos. Nesse formulário, as crianças devem dizer se fizeram a atividade, se acharam fácil, se aprenderam e se podem ensinar a um colega. Essa última informação, diz Daniela, pode ajudar os professores a programarem agrupamentos de alunos e trabalhos em equipe para as próximas aulas. As turmas que participarem do projeto e algumas que não participam e formam um grupo de controle farão uma prova antes de o projeto ser implementado e outra ao final do ano letivo.
Veja uma das aulas de matemática da Khan Academy traduzidos para o português:
